Ernesto Sampaio e Fernanda Alves – até que a morte os separou. Uma extraordinária e verídica história de amor entre o escritor, jornalista (e outras coisas) e a actriz e encenadora – que terminou numa tristeza tão insuportável que levou Ernesto a morrer de amor. Mourir d’aimer em português.
Abaixo poderão encontrar dois posts muito diferentes do que agora, aqui, vão ler. Lá mais abaixo falo do mediático lançamento do livro de Judite de Sousa sobre o Cunhal que foi invadido pelo PSD em peso, nomeadamente pelo Relvas agora em versão raçuda. E falo também da Constança Cunha e Sá, bronzeada e uma autêntica fera, uma pantera implacável agarrada à jugular de Passos Coelho.
Mas isso poderão ler nos posts a seguir a este, não aqui.
Agora, aqui, a conversa é outra. Vou escrever sobre um tema que me é estranho. No outro dia a minha filha dizia-me que, quando eu aqui falo de relacionamentos amorosos, só falo de amores felizes. Como assim?, perguntei-lhe. Ela explicou: É que há amores impossíveis. Pedi para me exemplificar porque, voluntarista como sou, acho sempre que a gente, querendo, tudo consegue e, se não consegue, parte para outra. Ficar a remoer agarrado a uma ficção ou a uma ilusão é coisa que acho que não faz sentido.
Ela exemplificou. Um amigo dela que eu conheço muito bem, quando estava no fim do curso, foi estagiar para o outro lado do mundo, uma experiência engraçada. Como tantas vezes acontece, por lá foi ficando. Arranjou namorada. Teve uma filha. Agora o amor acabou mas há a filha. Entretanto reacendeu uma estima anterior, virou amor a sério. Mas esse amor está cá em Portugal. Por cá essa rapariga teve um filho. Se ele largar o emprego óptimo que lá tem (o que não faz sentido), afasta-se da filha, coisa que não quer. Se a namorada portuguesa for ter com ele, não pode levar o filho porque o ex-marido não o permite, e afastar-se do filho também não quer. Ou seja, cá está: segundo ela, um amor impossível.
Respondi-lhe: têm que esperar que as crianças cresçam. E não disse mas pensei que, até lá, muita coisa pode acontecer. É que nem esse eu acho que seja um amor impossível. Será complicado, será um amor que aconteceu no tempo e no sítio errado, ou tarde demais, ou cedo demais, não sei, mas impossível não é. A história desse amor pode estar ainda no início. Ou pode estar a ser empolada pela inviabilidade e a distância e o tempo podem vir a demonstrar que afinal não é tão forte como agora pensam. Ainda não o sabemos.
Mas há amores impossíveis. De facto, há.
Aquele de que aqui vou falar era, no fim, mesmo impossível. E tão devastadoramente impossível que devorou a vida de quem assim amava alguém que se tinha ausentado.
Hesitei em falar aqui nisto. Não é tema de que se fale de qualquer maneira. Teria que falar quase em silêncio, com muito respeito, quase uma oração. Não sei se sei falar assim.
Mas vou tentar. Ou melhor: vou dar a palavra ao próprio e a outros que sobre eles falaram.
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